Verba Volant Scripta Manent

Não sei quantas almas tenho

“Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só. Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo, como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, o que passou a esquecer. Noto à margem do que li, o que julguei que senti. Releio e digo: “Fui eu?” Deus save, porque o escreveu.”

Fernando Pessoa

Sobre mim

Curitibana por certidão, filha de paulista e catarinense, com cidadania ítalo-brasileira, mas de alma internacionalizada. Apaixonada pela cultura germânica e praticante assídua da filosofia “Wanderlust”. Contempladora incansável das ínfimas singularidades da natureza e amante dos animais. Dona de um incurável senso idealista e de justiça, e aquela que ainda acredita que boas ações e atos de amor são capazes de transformar o mundo. Desde pequena, curiosa e apaixonada por livros e por escrever, caminho em linhas consoantes aos meus pensamentos mais ruidosos. Reservo aqui um espaço cibernético para reavivar análises e releituras instigantes permeando pelo mundo literário, cinematográfico e jurídico.