Uma Visão frente a Banalidade do Mal de Hannah Arendt

Diante das discussões propostas a despeito da banalidade, da origem do mal e de suas consequências na sociedade, a temática em questão gira em torno do julgamento dos atos cometidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, seria correto julgá-los sendo que, de certa forma, estavam apenas cumprindo as leis e agindo de acordo com a Constituição.

Antes de expressar minha opinião e meu parecer, é necessário retomar o impacto que o mal oferece na sociedade, há um certo tipo de mal que não pode ser medido e é incalculável, o mal banal, aquele que é inerente a pessoas medíocres e “normais”, aquele que é trivial. Qualquer um pode possuir esse mal, pessoas com as quais cruzamos no dia a dia, é um tipo de maldade que não vem fantasiada e enfeitada e nem possuí grandes desejos ou razões especiais para existir, simplesmente existe. Faz parte principalmente de pessoas as quais não se questionem, seguem aquilo que lhes é designado, e acreditam que o fato de executarem e cumprirem, deve ser motivo de reconhecimento.

O caso estudado pela socióloga alemã Hannah Arendt, “Eichmann em Jerusalém”, aborda justamente esse tema. Foi alvo de longas e duradouras discussões, o que ficou conhecido como Julgamento De Nuremberg, milhares de ex comandantes e adeptos ao nazismo, esperando serem julgados pelos infinitos atos de discriminação e violência. O principal argumento de defesa era que eles eram “cumpridores das leis”, afinal como “bons cidadãos” não desejariam nunca ir contra aquilo que lhes era designado, pessoas boas cumprem as tarefas e dormem com a consciência limpa. É justamente nesse ponto, que o mal se encontra, ele se alimenta de mentes vazias e não pensantes, você cumpriria qualquer lei, mesmo que soubesse que aquilo não é certo, iria contra seus valores morais. Retomando a minha resposta, o que diferencia os seres humanos de outros animais, é a capacidade de pensar, comunicar, refletir, analisar e ponderar, existe o instinto de sobrevivência, é claro, mas a empatia e os valores morais já são inerentes aos seres humanos. A proposta da obra, elencada por Arendt, busca justamente entender como que alguém, sem em princípio, traços de maldade/genialidade, poderia cometer atos tão cruéis e acreditar que advinham apenas do cumprimento de ordens, e de Atos de Estado.

A questão do desapego moral, da alienação perante a realidade, foram justamente o que embasou todo o julgamento. Sim, há logicamente um grande impasse quanto a legalidade de se punir pessoas que teoricamente cumpriram ordens, que futuramente viriam a torna-se retroativas, mas como se tratou de um genocídio sem precedentes perante a humidade, a acusação viria a fazer sentido, quando compreendido que as pessoas tinham consciência dos atos cometidos, e os realizam com louvor, portanto, minha opinião é a de que sim, é possível nesse caso, julgar pessoas as quais efetivamente participaram e contribuíram com todas as crueldades, não deve ser possível se esconder diante da lei, diante de ordens, porque se todos pensassem dessa forma, nunca haveria de existir uma revolução ou mudança de atos e legislações. Diante de todo o cumprimento de ordem, mesmo que inconsciente e imperceptível, há sim interiorizado um sentimento de conivência e concordância.

Referências:

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém — Um relato sobre a banalidade do mal. Tradução de José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia da Letras, 1999.

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